05 março 2011

A média do crescimento econômico do Brasil no governo Lula ficou abaixo da média republicana do país. Segundo o economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ

A média do crescimento econômico do Brasil no governo Lula ficou abaixo da média republicana do país. Segundo o economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ, nos últimos oito anos o país cresceu 4% ao ano. Desde 1890, a média do período é de 4,5%. Ao dividir os dois mandatos, contudo, o professor informa que a média foi de 3,5% no primeiro mandato (2003-06) e 4,5% no segundo (2007-10).

- O resultado do governo Lula é de um fraco desempenho pelos padrões históricos do país. Comparado com os 29 mandatos presidenciais que comparo, Lula ficou na 19ª posição - afirmou o professor.

Segundo as contas do professor, o desempenho do país sob Lula foi maior que o registrado nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que ficou com média de crescimento de 2,3%. O tucano é o quarto pior do país, somente superando o desempenho de Venceslau Brás (1914-1918, período da primeira guerra mundial, quando o crescimento foi de 2,1% ao ano), Fernando Collor (recessão de 1,3% de 1990 a 1992) e Floriano Peixoto (o PIB caiu em média 7,5% ao ano entre 1891 e 1894, quando a economia se adaptava ao fim do trabalho escravo).

Os presidentes que administraram o país com maior crescimento foram Garrastazu Médici (alta de 11,9% ao ano em meio ao milagre econômico e à ditadura) e Deodoro da Fonseca (crescimento médio anual de 10,1% entre 1889 e 1891). No geral, de acordo com o levantamento do economista, 14 mandatos presidenciais apresentaram crescimento maior que a média de 4,5% ao ano - repetida em um mandato - e igual número obteve resultados piores que a média.

Gonçalves informou também que a economia do Brasil representava 2,83% do PIB mundial em 2003 e finalizou o governo equivalendo a 2,92%. O número ainda é abaixo do Brasil antes de FH (3,18% do PIB mundial em 1995) e dos 3,91% apresentados pelo país em 1980. Ele lembra também que o país ainda é muito vulnerável ao comportamento externo da economia. 
 
O GLOBO - 04/03/2011 / Por Henrique Gomes/ Cópia Lili Carabina

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